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JOÃO DE MENDONÇA CORTÊS
(1836-1912)

O Dr. João José de Mendonça Cortês, que era este o seu nome completo, Par do Reino, estadista, professor catedrático, historiógrafo e cientista, nasceu em Olhão a 9 de Janeiro de 1836* e faleceu em Paris a 24 de Fevereiro de 1912.

Nada conseguimos saber da sua vida anterior a 1861, ano em que se doutorou em Direito e Ciências Naturais na Universidade de Coimbra, de que foi nomeado lente em 1863 e lente catedrático em 1868. Em 1865, porém, fora já nomeado, por seus altos méritos, para fazer parte da comissão, presidida por Alexandre Herculano, que se incumbiu de coligir os documentos referentes à História da Igreja em Portugal, tendo escrito um extenso e erudito proémio para o primeiro tomo dessa obra e oferecido os seus honorários para custear a respectiva edição. Eleito depois deputado pelo Algarve, ingressou na política e foi Ministro da Fazenda do Governo presidido pelo Visconde de Sá da Bandeira; mais tarde, em 1876, foi encarregado de reorganizar os arquivos do Tribunal de Contas, trabalho sobre o qual publicou vários relatórios de muito interesse bibliográfico, e ainda naquele ano foi eleito director do Banco Lusitano, do qual dois anos depois seria presidente. Em 1876 foi encarregado de reorganizar de reorganizar os arquivos do Tribunal de contas, tendo publicado vários relatórios sobre o assunto.. Também em 1876 foi eleito director do Banco Lusitano, tendo dois anos depois sido nomeado presidente. Em 1879 foi nomeado Par do Reino e também Juiz Conselheiro do Tribunal de Contas, cargo este cujo exercício o obrigou a deixar a cátedra da Universidade de Coimbra. Envolvido em certa altura num processo de alegada corrupção e desvios de dinheiro no Banco Lusitano que foi à falência com grande estrondo político na época, tornou-se  politicamente inútil para os seus camaradas de partido, e embora a Câmara dos Pares o tenha absolvido, reabilitado e reintegrado nas suas funções, emigrou para Paris e lá faleceu.

Como cientista, apresentou em 1859*, ao Governo, vários modelos de sua invenção para aplicação da electricidade como força motriz das locomotivas, modelos que não foram aceites em Portugal, mas mais tarde foram aproveitados e postos em prática na França e na Alemanha. Inventou também um obturador especial de espingarda, que foi executado com êxito pelo nosso Arsenal do Exército, e um novo propulsor para barcos de fundo chato e para rios de pequena profundidade, que substituía os remos. Resolveu ainda o problema de dar relevo às cartas topográficas com rigor e precisão na escala vertical igual à que elas tinham então na escala horizontal, tirando patente essa invenção. Por tudo isto foi satirizado em caricaturas de Rafael Bordalo Pinheiro como o "Joãozinho das Máquinas".

Além do proémio do primeiro tomo da Manumenta Historica Eclesiae, escrito em latim e a que já acima nos referimos, publicou ainda os seguintes trabalhos: Se a organização do júri entre nós precisa algumas reformas e, no caso afirmativo, quais devem ser (tese escrita em latim), 1861; Síntese da receita e da despesa do Estado para o ano de 1873-74 e para o ano de 1875-76 - Estudos de Finanças, 1874; Oração por ocasião da visita de El-Rei D. Pedro V à Universidade de Coimbra; Tratado de Finanças; História das Finanças Portuguesas; Colecção de Legislação sobre o Recrutamento; e Índice de Legislação Prática desde o «Codex Vetus» até ao presente.

O Dr. João de Mendonça Cortês colaborou ainda nos jornais Primeiro de Janeiro e Diário Popular e foi proprietário da Livraria Bertrand, de Lisboa, desde 1878 até ao seu falecimento.

 

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Baseado em artigo retirado de Nobre, Antero - Doze Olhanenses que muito honraram a sua terra - Sep. "A Voz de Olhão", 1987

* O Dr. Alexandre Ramires fez-nos o favor de corrigir a data de nascimento e do invento de Mendonça Cortez, fornecendo-nos a única fotografia sua conhecida.